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O Natal convida cada pessoa a fazer uma visita ao Presépio de Belém e através dele viver momentos de alegria e amor com a família. Foi a pensar nesta festa, por iniciativa do grupo disciplinar de EMRC, que se propôs aos alunos dos 1º e 2º Ciclos das Escolas Aristides Sousa Mendes e Básica de Carregal do Sal a concretizar esta experiência, através da construção de presépios juntamente com a família, amigos e colegas, recorrendo a materiais reciclados (indo ao encontro do tema do Agrupamento).

O resultado final foi extraordinário, já que ao gosto estético se aliaram a criatividade, o uso de todo o tipo de materiais e a execução do mesmo como uma tarefa de família.

A exposição está disponível para visita em cada escola onde os alunos e famílias participaram.

terça, 17 dezembro 2019 11:41

Ser Refugiado e Acolhido por dois dias

Uma experiência vivida por alunos da disciplina de Educação Moral Religiosa Católica da Escola Secundária Alves Martins – Viseu, do Agrupamento de Escolas de Carregal do Sal, e do Agrupamento de Escolas Tomaz Ribeiro – Tondela.

 

Nos dias 14 e 15 de dezembro em Cabanas de Viriato, na Escola Aristides Sousa Mendes, a atividade denominada "CAMPO DE ACOLHIMENTO DE REFUGIADOS”, reuniu alunos do Ensino Secundárioda disciplina de Educação Moral e Religiosa Católica da Escola Secundária Alves Martins – Viseu, do Agrupamento de Escolas de Carregal do Sal, e do Agrupamento de Escolas de Tondela Tomaz Ribeiro. Foram 70 os alunos que aceitaram fazer esta “travessia” e arriscar viver esta experiência.

Tendo como ponto de partida a vida de um Campo de Refugiados desprovido de conforto e de algumas condições a que se está habituado diariamente, desde logo, a liberdade de fazer o que se quer e a ausência da família, foram recriadas situações de vida num campo de refugiados, sendo que se procurou valorizar o acolhimento.

Para a concretização do campo colaboraram e estiveram presentes entidades que deram a conhecer a sua forma de atuação em situação de refugiados ou de defesa dos mais frágeis, como a GNR com o Destacamento Territorial de Santa Comba Dão e o Destacamento de Intervenção Secção de Cinotécnica.

Os alunos foram, ainda, envolvidos pelos testemunhos de dois elementos da Polícia Marítima que estiveram na Grécia, no resgate migrantes e refugiados do mar, no âmbito da missão Frontex, e de um jovem voluntário da Plataforma para os Refugiados que experienciou a vida real de um campo de refugiados na Grécia, e que atualmente colabora no projeto: Palhaços d’Opital.

Também participaram na dinamização da atividade, ambos do Agrupamento de Escolas de Carregal do Sal, o Projeto UNESCO – dever de memória, que propôs a descoberta da pessoa de Aristides Sousa Mendes e a colaboração na construção do Mural da Consciência, e a turma do Curso de Proteção Civil, através da simulação de incêndio.

Para além de uma experiência humana única que complementou o percurso escolar dos alunos que nela participaram, levou a refletir sobre a condição humana e a dignidade da pessoa, formar consciências esclarecidas, fomentando o desenvolvimento do sentido crítico sensibilizar para a importância da proteção humanitária, valorizar a família, a cultura e a realidade em que vive e incentivar dinâmicas de serviço e de partilha.

Os alunos ficaram despertos para nunca desistir de lutar pela vida, independentemente do contexto, e encontraram novas razões para acreditar que têm o “poder de mudar o mundo”.

O grupo de Educação Moral agradece aos amigos da Pastelaria Salinas, Pingo Doce, Intermarche, Quinta Ribeiro Santo, Coviran e Feira 3.

Nos passados dias 15 e 16 de novembro decorreu oEncontro Regional de Escolas Associadas da Rede UNESCO, subordinado ao tema Transformar o nosso mundo: a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, acolhido pela Escola Básica 2/3 do Caniço, na Região Autónoma da Madeira, que contou com a presença de várias escolas da Madeira, três escolas do continente e uma dos Açores, nomeadamente a Escola Dr. Alberto Iria, de Olhão, o Agrupamento de Escolas Dr. Mário Sacramento, de Aveiro, o Agrupamento de Escolas de Carregal do Sal, representado pelas docentes Dores do Carmo e Josefa Reis, que coordenam o projeto UNESCO “Dever de Memoria-Jovens pelos Direitos Humanos” ea Escola EBI Francisco Ferreira Drummond, da Terceira.

Esta iniciativa, coorganizada pela Comissão Nacional da UNESCO e pela Escola Básica 2/3 do Caniço, pela primeira vez nas ilhas, revelou-se de grande importância como espaço de partilha de ideias, de projetos e de boas práticas educacionais. Foi uma oportunidade privilegiada para o estabelecimento de parcerias futuras e para um trabalho em rede, sob a égide dos objetivos da UNESCO.

A abertura do Encontro contou com a sublime performance do projeto Escola Cultural, com dança e teatro, ao que se seguiu a abertura pelo Secretário Regional da Educação, Dr. Jorge Carvalho, pela Vereadora da Câmara Municipal de Santa Cruz, Drª Élia Ascensão, pelo  Diretor da Escola Básica do Caniço, Dr Armando Morgado e pela Coordenadora da Comissão Nacional da rede de Escolas da UNESCO, Drª Fátima Claudino.

Iniciou-se a apresentação dos projetos da Escola Básica do Caniço, anfitriã, pela Drª Cristina Freire e da Escola Secundária Padre Manuel Álvares, da Ribeira Brava, pela Drª Isabel Freitas, que nos remetem para a sustentabilidade, para as questões ambientais e dos oceanos.

Outros projetos foram partilhados, centrando a apresentação nos pilares e nas diretrizes orientadoras dos trabalhos em desenvolvimento nas escolas associadas, continuando a aposta na Educação para a Cidadania Global, na Educação para a Paz, na Literacia dos Oceanos e nas Alterações Climáticas.

No âmbito da Educação para a Cidadania Global e Educação para a Paz, onde se insere a temática do projeto “Dever de Memória - jovens pelos direitos humanos” do nosso Agrupamento, foram apresentadas, de forma resumida, através de um power point, as atividades desenvolvidas, em prol da divulgação e da homenagem a Aristides de Sousa Mendes, mas também da divulgação do Património Cultural e Natural do Concelho, perseguindo outros objetivos como o desenvolvimento de valores inerentes à cidadania responsável e interventiva dos nossos alunos, numa sociedade democrática e atenta às questões da cidadania e dos Direitos Humanos.

O desenvolvimento do Projeto “Dever de Memória” foi apresentado aos participantes, merecendo o interesse da audiência, pela dinâmica empreendida no seio do Agrupamento e pelo facto de extrapolar os “muros da escola” e de se projetar na comunidade local e internacional, quer através das parcerias estabelecidas com outras escolas, quer com instituições que trabalham a mesma temática, na senda da construção de um mundo melhor. Falar de Aristides de Sousa Mendes além-mar foi um privilégio!

Digno, ainda, de registo, o simpático e caloroso acolhimento por parte da escola anfitriã, que zelou para que tudo decorresse da melhor forma, proporcionando, também, agradáveis momentos musicais, dinamizados pelo grupo de fado do Projeto Escola Cultural, e de convívio entre os participantes num aprazível Porto de Honra e jantar de S. Martinho, que envolveu toda a comunidade escolar.

Em jeito de balanço, podemos concluir que estes encontros são fundamentais, pois permitem a aprendizagem e a reflexão, a partilha de saberes e “modos de fazer” entre os profissionais da educação, contribuindo para o seu desenvolvimento profissional, mas também uma análise mais distanciada sobre o trabalho desenvolvido na nossa própria escola.

Como “nem só de pão vive o Homem”, não poderíamos deixar de referir a riqueza paisagística e patrimonial da região, a sua gastronomia, a particular poncha e o privilégio da companhia, na visita a locais emblemáticos, como a Eira do Serrado, o Caniçal e o Cabo Girão, do dedicado Dr. Gabriel Pita e do carismático Bento, ambos amigos de longa data da Professora Dores do Carmo. Da visita cultural à cidade do Funchal, outras memórias ficaram gravadas: a arte estampada nas portas reabilitadas da zona velha, o centro histórico com a sua catedral manuelina, o Mercado dos Lavradores, com o colorido e cheiro singulares e o mar de águas límpidas e calmas.

Uma palavra de enorme gratidão pela amabilidade à Drª Maria do Carmo Ferreira, entusiasta do nosso projeto, que nos acolheu em sua casa nestes dias de aprendizagem.

Uma terra de afetos que nos faz crescer o CORAÇÃO!

 

 

 

Texto: Josefa Reis e Dores Fernandes

Fotos: Josefa Reis

As ações de sensibilização sobre sismos, realizadas pelos alunos do Curso Profissional Técnico de Proteção Civil, foram concluídas com êxito no dia 09 de dezembro, na Escola Básica Aristides de Sousa Mendes, em Cabanas de Viriato.

            À semelhança das atividades anteriores, esta ação, também integrada no projeto de Autonomia e Flexibilidade Curricular, decorreu de acordo com o que foi planeado e contou com o interesse e a participação de todas as pessoas envolvidas.

            Estas iniciativas são extremamente importantes, pois proporcionam a todos o acesso à informação sobre os riscos que existem em certas áreas do território, bem como sobre as medidas adotadas e a adotar, com vista à prevenção dos efeitos de acidentes graves ou de catástrofes.

terça, 10 dezembro 2019 14:44

Docentes do AECS em Mobilidade Erasmus+

Com vista à valorização profissional e pessoal dos seus docentes e à implementação de práticas inovadoras no processo ensino/aprendizagem, o Agrupamento de Escolas de Carregal do Sal, proporcionou mais uma vez, neste ano letivo, a participação de alguns grupos, no Projeto Erasmus+.

O primeiro grupo participante, constituído pelas docentes Anabela Vitória Figueiredo, Isabel Cristina Fazenda e Michelle Santos, a lecionar o 1º Ciclo, tiveram oportunidade de frequentar o curso “Introducing Project Based Learning in the Classroom”, que decorreu em Bolonha, de 17 a 23 de novembro, inseridas numa turma com colegas provenientes da Finlândia, da Bélgica, da Áustria e da Espanha.

O curso em questão abordou o tema das aprendizagens através da criação de projetos que visam, na sua génese, o aluno como agente principal e ativo na construção dos seus saberes e na obtenção dos seus conhecimentos, o que vem ao encontro das recentes alterações sofridas pelos programas. As atividades desenvolvidas ao longo da formação motivaram, de forma natural, todos os participantes, contribuindo igualmente para uma troca de experiências bastante enriquecedora.

Foram ainda proporcionadas, a todo o grupo, algumas atividades culturais, nomeadamente visitas guiadas em Bolonha e Florença e ainda algumas refeições onde todos puderam conviver.

No dia 2 de dezembro, foram levadas a cabo várias ações de sensibilização sobre sismos, destinadas aos alunos do 1º ano do Centro Educativo Nun’Álvares.

Integrado no projeto de Autonomia e Flexibilidade Curricular, a turma do Curso Profissional Técnico de Proteção Civil utilizou o exemplo do exercício “A Terra Treme”, realizado no passado dia 15 de novembro, para esclarecer as crianças acerca das causas e consequências dos sismos. Aproveitaram, ainda, para reforçar os procedimentos que devem ser adotados antes, durante e depois de um tremor de terra.

Com o objetivo de fazer chegar a informação ao maior número de pessoas possível, no final foram distribuídos folhetos sobre o assunto.

A atividade decorreu de acordo com o que foi planeado e contou com o interesse e participação de todas as pessoas envolvidas.

Alunos do Curso Profissional Técnico de Proteção Civil

A questão da formação dos professores, e de outros profissionais, é sempre uma oportunidade de enriquecimento e de atualização, embora nem sempre se traduza, na prática, numa mais-valia. Ou porque não corresponde às reais necessidades dos profissionais, ou porque é muito teórica e por isso, pouco motivadora a aprendizagem.

Se é verdade que a formação dos docentes é procurada por um imperativo do estatuto da carreira, é igualmente verdade que também é frequentada por forte interesse e motivação do professor. Existem professores empreendedores, que se envolvem em projetos desafiantes e que se interessam por práticas e metodologias inovadoras em contexto educativo.

As necessidades e as expetativas da sociedade atual, aberta, globalizada, sustentada pela informação e o conhecimento têm vindo a desafiar o professor para uma atitude dinâmica, flexível e conectada com o mundo. Neste contexto, é imperioso uma mudança de paradigma de educação, de escola, de professor, de aluno e de ambiente de aprendizagem. Impõe-se, por isso, um modelo de formação de professores, enquanto promotor da qualidade da educação, mais capaz de capacitar os futuros cidadãos para a intervenção nesta sociedade.

Nesse sentido, o curso de formaçãopromovido pelaDireção Geral da Educação, em parceria com o Mémorial de La Shoah: “O ensino do Holocausto: ponto de partida para a Educação para a Cidadania e para os Direitos Humanos”, realizado na Escola Secundária de Loulé, de 26 a 28 de setembro, constitui um momento privilegiado de reflexão e de aprendizagem sobre a temática.

O Projeto “Dever de Memória – jovens pelos direitos humanos” do nosso Agrupamento fez-se representar pelas professoras Aldina Mendes, Dores Fernandes e Josefa Reis, que desenvolvem a temática no âmbito deste projeto pedagógico e pretenderam aprofundar conhecimentos e enriquecer competências para a abordagem do tema dos direitos humanos na disciplina de Cidadania e Desenvolvimento. Depois da calorosa receção e da apresentação dos promotores e oradores do seminário, iniciaram-se os trabalhos com a comunicação “As raízes do antissemitismo europeu”, de Hubert Strouk, do Mémorial de la Shoah, uma intervenção pertinente sobre o tema, que extrapolou para a atualidade, segundo a diretiva do estudo do passado para entender o presente e assim poder prevenir o futuro, emanada pelo Mémorial de la Shoah e também pelo Yad Vashem. As diversas abordagens do dia, focadas no ensino e aprendizagem do Holocausto, foram, extremamente cativantes e muito pertinentes as reflexões suscitadas. Sublinha-se a exposição do mesmo orador na palestra“Desconstruir teorias da conspiração” e o ateliê pedagógico “Desconstruir preconceitos na sala de aula”, que promoveram uma reflexão sobre a necessidade de uma atenção intensificada, a importância do saber ver e interpretar sinais e imagens aparentemente inócuos na sociedade, principalmente através das plataformas virtuais, que são hoje um dos maiores veículos da informação e da falsa informação. Não sendo o ensino do holocausto um desafio fácil, é necessário ter em atenção a abordagem desta questão, tornando-se necessário a preparação cuidada e criteriosa dos docentes e esse é o entendimento da DGE, que ano tem vindo a apostar nesta formação.Deve, assim, a temática ser alvo de uma articulação transversal entre as Aprendizagens Essenciais da disciplina de História, a Estratégia Nacional da Educaçãopara a Cidadania e os princípios, áreas de competência e valores definidos no Perfil dos Alunosà Saída da Escolaridade Obrigatória, numa visão integradora do currículo.

A intervenção de Pascal Zachary, do Mémorial de la Shoah, sobre  “O centro de extermínio de Auschwitz” acrescentou conhecimentos para a visita de estudo a Auschwitz e Birkenau a realizar, pela segunda vez, neste ano letivo, de 2 a 5 de abril de 2020, no âmbito do projeto UNESCO do nosso Agrupamento, alicerçado no estudo e partilha da temática da 2ª Guerra Mundial, do Holocausto e do ato de Aristides de Sousa Mendes, “Justo entre as Nações”, natural do nosso concelho

As reflexões trazidas pela historiadora Irene Pimentel, do IHC da FCSH, da NOVA, a partir da comunicação “Portugal e o Holocausto”, sobre a política ambígua e a avaliação das suas consequências, lançaram luz sobre a posição de Portugal do Estado Novo, relativamente ao nazismo. A visita à exposição “Trabalhadores forçados portugueses no III Reich”, patente na Casa Museu Engenheiro Duarte Pacheco, em Loulé, orientada pela historiadora Cláudia Ninhos, do IHC, suscitou também muito interesse, por traduzir o sofrimento e angústia infligido, neste período histórico de horror, a portugueses emigrantes em França, prisioneiros dos campos de concentração, facto desconhecido das próprias famílias. O documentário “Debaixo do Céu”, de Nicholas Oulman, constituiu outro momento alto do seminário, representando, através dos testemunhos, um bom material gerador de debate e reflexão, transversal a várias áreas em ordem ao perfil do aluno.

O curso de formação teve como objetivo fundamental aprofundar os momentos marcantes do Holocausto, através da memória fundamentada em documentos, de modo a desconstruir, no presente, as várias formas de negação deste trágico acontecimento histórico, propiciando o entendimento da dimensão do holocausto, que levou à morte de vários milhões de vítimas num extermínio orquestrado e massificado. Pretendia, também, a constituição de uma rede nacional de formadores na temática do Holocausto, conducente à replicação dos conteúdos abordados. Contou com a participação de docentes de várias áreas disciplinares, que entusiasmados pelos vários painéis, não se davam conta do tempo a passar. Esta formação abriu perspetivas interessantes de trabalho no âmbito da memória do holocausto e da educação para os direitos humanos, através de excelentes comunicações e do apoio em fontes e documentação fidedignas, disponibilizando variados recursos, propostas e metodologias de trabalho desta temática que se apresenta cada vez mais necessária na formação dos alunos, face à crescente onda de intolerância, radicalismo e extremismo político. Torna-se, assim, premente a necessidade de desenvolver valores de uma cultura democrática, o respeito pelos direitos humanos e a educação para a paz.

 

Texto: Josefa Reis e Dores Fernandes

Fotos: Josefa Reis

No âmbito do espaço Cidadania, o Dia da Tolerância e da UNESCO foi o mote para uma palestra na Universidade Sénior de Carregal do Sal, no dia 20 de novembro, proferida pelas professoras Dores Fernandes e Josefa Reis.

Após o enquadramento teórico, com base no conceito da palavra tolerância, cujo significado procurou, através da interação com a plateia, escalpelizar, a docente Dores Fernandes lembrou os Princípios da Tolerância, com base na declaração da UNESCO, a qual reconhece a tolerância como o respeito e valorização das diferenças culturais e aceitação das várias formas de expressão do ser humano. Questionando os estudantes sobre a relação com os direitos humanos, foi unanimemente consensual que a tolerância faz parte da “universalidade dos Direitos Humanos e das liberdades fundamentais de cada um”.

A professora Josefa Reis contextualizou a atividade, lembrando o papel da Escola e do projeto “Dever de Memória – jovens pelos direitos humanos”, na promoção dos valores que devem nortear o crescimento do caráter dos adolescentes e jovens, tendo como farol a ação de Aristides de Sousa Mendes. Explicitou o enfoque do trabalho desenvolvido no âmbito do projeto, sublinhando a necessidade de continuar a fazer sentido assinalar o Dia Internacional da Tolerância, face ao crescimento dos extremismos e conflitos no mundo,

Esta efeméride, celebrada a 16 de novembro, desde 1996, constitui uma oportunidade de reflexão e de pôr em marcha ações para combater os mais variados tipos de intolerância cultural, económica, religiosa, sexual e racial.

De realçar que ainda nos encontramos na Década Internacional para a Aproximação das Culturas (2013-2022), com objetivo de promover o diálogo intercultural. Nesse sentido, recentemente, as Nações Unidas lançaram a campanha “TOGETHER” para promover tolerância, respeito e dignidade em todo o mundo, com especial enfoque na redução das atitudes negativas em relação aos refugiados e migrantes.

Para praticar a tolerância, é preciso saber o que ela significa. De acordo com a Declaração de Princípios sobre a Tolerância da ONU, ela é o respeito, a aceitação e o apreço pela diversidade em todos os seus âmbitos. Não deve ser considerada como uma concessão, mas sim um reconhecimento dos direitos humanos universais e das liberdades fundamentais de cada pessoa. Além disso, ninguém precisa de renunciar às suas opiniões ou convicções para praticá-la – todos são livres, mas devem aceitar, igualmente, a liberdade do próximo.

A concluir, frisou que é premente lembrar a afirmação de Ban Ki-mon “a tolerância começa com cada um de nós, todos os dias”.

Após as intervenções das professoras, foi apresentado um pequeno vídeo sobre a intolerância, ao qual se seguiu um trabalho de reflexão, em grupo, a partir de textos distribuídos, de forma a possibilitar o debate em grande grupo, que se revelou muito participado e enriquecedor.

A sessão traduziu-se numa tertúlia muito interativa, dado que a plateia se revelou muito interessada e com aguçado espírito crítico, tendo ficado o desafio de uma nova sessão logo que possível.

Fica a gratidão, pelo convite, à Enfermeira Joana Carvalho, presidente da Universidade Sénior, e a todos os participantes pelo caloroso acolhimento.

 

Dores Fernandes e Josefa Reis

segunda, 02 dezembro 2019 12:00

Testemunhos da Memória

O dia 19 de novembro ficou indelevelmente marcado na mente da plateia da Escola Secundária do Agrupamento de Escolas de Carregal do Sal. Os alunos de 9º ano e de 12º C, tiveram o privilégio de ouvir o testemunho de Cookie Fisher sobre a história da sua mãe, Adele Van Den Bergh, judia holandesa que, graças ao visto, passado em 1940, em Bayonne, por Aristides de Sousa Mendes, fugiu da Europa, fixando-se nos Estados Unidos da América.

Esta iniciativa foi dinamizada pelo Projeto UNESCO “Dever de Memória - jovens pelos direitos humanos”, no âmbito da comemoração do Dia Internacional da Tolerância e da UNESCO e organizada em tempo record, pois dependia da vinda da oradora a Lisboa para gravação do testemunho para o filme “L´Heritage d’Aristides” de Patrick Séraudie`, a sair em junho de 2020 em França e da cortesia da Drª Mariana Abrantes, em providenciar a sua vinda à região.

Assim, a coordenadora, Dores Fernandes, contextualizou a atividade, estabelecendo uma relação entre a intolerância, a discriminação e a perseguição a grupos étnicos minoritários, nomeadamente no contexto da II guerra mundial e do holocausto.

Com base no diário da mãe, na época uma jovem de 25 anos decidida a fugir da guerra, Cookie contou que ela partiu sozinha da Europa, enquanto os seus pais escolheram ficar para defender os seus bens, acreditando que os aliados facilmente impediriam a Alemanha nazi de cometer qualquer atrocidade na Holanda ocupada. A sua viagem terá sido num barco sardinheiro de nome “Milena” e, por conseguinte, sem condições de transporte de pessoas, seriam cerca de cinquenta refugiados os passageiros. O nome da embarcação suscitou alguma perplexidade nos ouvintes, pois por coincidência é o nome da amiga de coração de Cookie Fischer, segundo reportou.

A convidada continuou o depoimento, referindo que a mãe relatou, no diário, a falta de condições, a fome ao longo de vários dias da viagem, além da incerteza em relação ao seu futuro e o sofrimento por abandonar a sua família. Referiu, também, que antes da viagem, para colmatar a falta de condições sanitárias, a sua mãe e outros refugiados compraram vários “bacios”, para que as pessoas não sentissem a sua dignidade ferida ao longo dos vários dias da viagem.

Em Portugal, viveu, temporariamente, na cidade do Porto, tendo depois emigrado para os Estados Unidos. Foi uma mulher corajosa, constatou a oradora, mas profundamente marcada por este drama, pelo que não lhe contou esta história, o que revelava a personalidade de uma mulher que em nada se parecia com aquela que conhecera e que certamente influenciou Cookie como uma cidadã cosmopolita, a viver em vários países e dominando fluentemente nove línguas., ferramenta que usa como professora universitária da disciplina de Interculturalidade e Comunicação.

A terminar, a convidada revelou a gratidão para com o cônsul português, a quem a sua mãe ficou a dever a vida e do qual teve conhecimento há poucos anos atrás, através do seu diário, que lhe proporcionou o conhecimento desse passado e do trabalho de investigação da Sousa Mendes Foundation, que tem vindo a organizar a iniciativa “Journey on the road to freedom”, um roteiro desde Bordéus até Lisboa - um porto de esperança na época - passando por Cabanas de Viriato e em que participam pessoas que receberam vistos ou seus descendentes, com o objetivo de lhe prestar homenagem.

A oradora, num estilo de grande simplicidade e em português fluente, cativou a plateia durante uma hora, seguindo-se um tempo de ativo e pertinente debate entre os alunos e a convidada.

No final da sessão, foi feita uma atividade interativa com os alunos, simulando uma situação de stress de guerra, com o objetivo de promover a reflexão sobre o que levar em momento de fuga, concluindo-se que prevalece a identidade de cada um, contrariada pelo apego aos bens materiais.

Ficámos com a convicção de que na mente dos alunos se lançaram sementes de tolerância e de respeito pela diferença, esperando que continuem a crescer nestes valores.  Resta manifestar a nossa gratidão à oradora, pela generosa disponibilidade em se deslocar à nossa Escola no curto tempo da visita a Portugal, à Dra. Mariana pelo apoio em mais esta iniciativa, e aos professores que acompanharam os alunos a sua inestimável colaboração. Finalmente, uma palavra de apreço ao Senhor Vice-Diretor pelo valioso apoio e, como habitualmente, à colaboradora D. Fátima Caldeira, pelo requinte de beleza do centro de mesa.

 

 

 Dores Fernandes e Josefa Reis

Fotos: Josefa Reis

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