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terça, 12 novembro 2013 00:00

5.º B À CONVERSA COM A PROFESSORA BIBLIOTECÁRIA, CÉLIA CORTEZ

 
A Professora Célia Cortez é professora por paixão e vocação e, nas funções de bibliotecária, alia duas coisas de que gosta muito – o ensino e os livros. Considera que eles nos ajudam a escrever melhor, a ter um conhecimento mais vasto sobre o mundo, a conhecermo-nos melhor e aos outros, a sermos pessoas mais sensíveis, mais tolerantes. Anima-se quando fala deles e das experiências com os seus alunos e emociona-se quando fala de si e do filho que a tem ajudado a crescer como pessoa, enfim, a ser feliz. 
Diz que os alunos gostam muito da biblioteca e que a utilizam, não só para requisitar livros, mas também para realizarem trabalhos no computador, entre outras atividades. 
Durante a conversa, mostrou muita dedicação e entrega ao que faz e “dá”!
 
Há quanto tempo é professora bibliotecária?
Professora Célia - Há 13 anos.
 
Gosta do que faz?
Professora Célia - Gosto muito, sobretudo quando dinamizo atividades com os alunos.
 
Gostava de ter outra profissão?
Professora Célia - Não. Desde pequena que eu queria ser professora. Penso que sou professora por paixão e vocação. Agora, também sou bibliotecária o que me permite aliar duas coisas de que gosto muito – o ensino e os livros. 
 
Costuma ler nos seus tempos livres? 
Professora Célia - Eu, praticamente, não tenho tempos livres, mas leio quase todos os dias antes de adormecer. Tenho sempre um livro na mesinha de cabeceira.
 
Já lê desde criança?
Professora Célia – Desde criança que leio. Quando era pequena, havia poucos livros em minha casa. Então, eu e as minhas irmãs íamos à biblioteca da Gulbenkian requisitar livros, pelo menos, uma vez por mês. Fazíamos oito quilómetros a pé (ida e volta). Eu deliciava-me com os livros de Enid Blyton, da coleção “Os cinco” e da Condessa de Ségur. Imaginava-me a viver as aventuras narradas nos mesmos. 
 
Qual o seu autor preferido? E o que gosta mais de divulgar aos seus alunos?
Professora Célia - Não tenho, propriamente, um autor preferido. Gosto muito de alguns escritores da América Latina, como Luís Sepúlveda, Isabel Allende, Laura Esquível e Gabriel Garcia Marquéz. Dos autores portugueses, os meus preferidos são Eça de Queirós, Júlio Dinis, José Saramago, Miguel Sousa Tavares e José Luís Peixoto, um escritor que conheci através da minha colega e amiga São Soares. É um jovem escritor que escreve sobre as coisas simples da vida, mas com muita beleza. Tem uma escrita muito intimista.
Em relação aos meus alunos, gosto de lhes divulgar uma grande variedade de autores portugueses e estrangeiros. Contudo, sinto um enorme prazer quando trabalho obras de Sophia de Mello Breyner, Luísa Ducla Soares, Alice Vieira e António Mota. Neste momento, estou a analisar com a minha turma uma obra de António Mota e os alunos estão a adorar. Inclusivamente, foram vários os que escolheram obras deste autor para leitura autónoma/contratual.
 
Quais os autores que já estiveram na escola?
Professora Célia - Desde que desempenho as funções de professora bibliotecária já estiveram na escola os seguintes autores: Ana Maria Magalhães, António Mota, Ana Meireles, José Fanha e José Saraiva. 
 
Sente que os alunos gostam da biblioteca?
Professora Célia - Eu penso que os alunos gostam muito da biblioteca. Durante o período de almoço e intervalos, o espaço é reduzido para acolher todos os alunos que pretendem utilizar a biblioteca.
 
Quando a frequentam fazem-no para ler e requisitar livros ou para fazer outras atividades?
Professora Célia - Os alunos utilizam muito a biblioteca para requisitarem livros, mas também para realizarem trabalhos no computador, para jogarem (jogos didáticos) e para verem filmes. Infelizmente, ainda são poucos os que a utilizam para realizarem leitura de presença.
 
Quais os livros mais requisitados nesta escola? E nas restantes?
Professora Célia - Atualmente, os livros mais requisitados nesta escola são os que são indicados no Plano Nacional de Leitura para o 2.º ciclo, isto porque são aqueles que os professores indicam para leitura autónoma/contratual. Nas restantes escolas os livros mais requisitados também são aqueles que os professores de Português indicam para leitura contratual. No Centro Educativo, os alunos do 1.º Ciclo e crianças da Educação Pré-escolar requisitam praticamente todos os livros da secção da literatura infantil.
 
 
Os livros são estimados?
Professora Célia - De uma maneira geral, os alunos estimam os livros. Existem muitos livros já bastante danificados, mas deve-se ao muito uso.
 
A biblioteca costuma estar às moscas?
Professora Célia - Durante o decorrer das aulas é pouco utilizada. Nos intervalos, período de almoço e sempre que um professor falta, é bastante frequentada. 
Sente que os alunos estão a ler mais?
Professora Célia - Sim, sobretudo os alunos dos 1.º e 2.º Ciclos. Infelizmente, os alunos mais velhos vão perdendo os hábitos de leitura.
 
O que gostaria de transmitir aos jovens desta escola e que aqui não lhe foi perguntado?
Professora Célia - A biblioteca está bem apetrechada. Têm ao vosso dispor uma grande variedade de livros, por isso devem requisitá-los e lê-los. Quem gosta das novas tecnologias, pode ler livros digitais. Já existem muitos disponíveis na internet, gratuitamente. No sítio do PNL têm vários adequados ao vosso nível etário. Eu, pessoalmente, prefiro ler em suporte papel. 
 António Mota, aquando da sua visita a esta escola, referiu que para bem escrever são necessárias três coisas: a primeira é ler, a segunda é ler e a terceira é ler. Portanto, é preciso ler sempre. Os livros ajudam-nos a escrever melhor, a ter um conhecimento mais vasto sobre o mundo que nos rodeia, a conhecermo-nos melhor a nós próprios e aos outros. Ajudam-nos a sermos pessoas mais sensíveis, mais tolerantes. 
Todos nós temos um lado bom e um lado mau. O melhor de mim devo-o, sem dúvida, aos meus pais, ao meu filho João, que é um menino especial e que me tem ajudado a crescer como pessoa, mas devo-o também aos meus professores e aos livros. Eu reflito muito sobre o que leio.
 
 
Entrevista realizada pelos alunos do5.º B, nas aulas de Português
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