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terça, 03 março 2020 15:34

Laços de amizade luso-luxemburgueses

O cônsul de Bordéus salvou milhares de pessoas do holocausto, incluindo a família grã-ducal do Luxemburgo

Entendendo que o princípio geral que orienta a educação é a formação para o exercício da cidadania e que a formação de professores e outros técnicos da educação se dá em atividades de autorreflexão na prática e mediante a vivência de experiências, o Agrupamento de Escolas de Carregal do Sal teve a honra de aceitar o convite do Projeto UNESCO “Dever de Memória - jovens pelos direitos humanos”, respondendo ao desafio da Dra Mariana Abrantes, em representação da Sousa Mendes Foundation, que patrocinou parcialmente esta viagem, para visitar e dar testemunho de uma exposição organizada pelos Arquivos Nacionais do Luxemburgo, em pleno Centro Histórico da cidade de Luxemburgo. A exposição é um evento organizado no âmbito da presidência luxemburguesa da Aliança Internacional para a Memória do Holocausto (IHRA) e teve o alto patrocínio do nosso país, a assinalar a sua recente integração nesta organização.

 

A exposição intitulada «Aristides de Sousa Mendes - Un consul portugais entre la conscience humaine et la raison d'État » está patente ao público desde o dia 28 de novembro de 2019 e até o dia 22 de fevereiro de 2020. O Agrupamento foi representado pela docente de Inglês, Edite Nora e pela psicóloga escolar, Alexandra Gaudêncio. A suprarreferida fundação colaborou na organização desta exposição e tem, ativamente, procurado consolidar a sua presença, não se poupando a esforços no cumprimento da sua missão ao serviço desta causa, através do resgaste das memórias dos refugiados judeus aos quais foram concedidos vistos pelo cônsul português. Esta viagem teve lugar nos passados dias 14 e 15 de fevereiro e integrou, também, a visita à linha Maginot e à Exposição “Portugal et Luxembourg -Pays d'espoir en temps de détresse”,em exibição até ao dia 10 de maio de 2020, na Abadia de Neumünster, na referida cidade, que contou com a colaboração da historiadora Margarida Ramalho e da arquiteta Luísa Pacheco.

Esta última exposição aborda as relações, mais que centenárias, que se foram fortalecendo entre o Luxemburgo e Portugal, simbolizadas entre outros, pelo facto de o atual Chefe de Estado do Luxemburgo ser descendente direto da família real portuguesa (do rei D. Miguel) e pelo acolhimento em Portugal, no Verão de 1940, da Família Grão-Ducal e de membros do governo luxemburguês no exílio, graças aos vistos emitidos pelo Cônsul Geral de Portugal em Bordéus, Dr. Aristides de Sousa Mendes. Em plena Segunda Guerra Mundial, este diplomata, após uma profunda reflexão de três dias, em que se retirou para discernir o que considerou ser mais humano, optou por escolher salvar as vidas das pessoas concretas, que chegavam aos milhares numa situação de enorme sofrimento, em detrimento do cumprimento das imposições legais vigentes tendo emitido vistos sem autorização do governo dirigido por António de Oliveira Salazar. A sua atitude corajosa e desafiadora permitiu salvar milhares de judeus do holocausto e outros refugiados, da fúria nazi e faz sobressair a necessidade de discernir, para analisar as situações com um olhar diferente, um olhar que vai para além das normas e convenções, atrás das quais tantas vezes, ainda nos dias de hoje, é legitimado o ilegitimável, quando analisado com um profundo sentido de humanidade, através do sentir “do coração”.

Os laços entre os dois países foram ainda reforçados nas décadas de 1960 e 1970, graças à emigração de milhares de portugueses para o Luxemburgo, acolhidos de braços abertos neste Grão-Ducado. A História, a cultura e a gastronomia portuguesas estão muito presentes no Luxemburgo, contribuindo para o enriquecimento da sua sociedade multicultural. Os portugueses são hoje a maior comunidade imigrada no Luxemburgo e representam um quinto da população.

Na origem da exposição esteve a vontade da Association Memoshoah Luxembourg de destacar o exemplo de países que souberam acolher os seus semelhantes estrangeiros em situação de profunda aflição, fugidos da guerra ou da miséria, como foi o caso de Portugal e do Luxemburgo, porque é importante lembrar aos que já o esqueceram, ou ensinar aos que ainda não o sabem, que houve uma guerra terrível, durante a qual os valores democráticos, aos quais estamos ligados, foram desprezados e que perdiam o direito à vida aqueles que não aceitassem ou correspondessem aos critérios impostos pelo regime nazi.

Assim, lembrar o holocausto não é apenas lembrar o abominável. Ao recordar o holocausto, lembramos os direitos humanos. E lembramos que a dignidade humana se salva na face daqueles que não abdicam dos seus deveres, sobretudo os morais.

O AECC agradece o apoio concedido pela Sousa Mendes Foundation e retribuiu através do que é a sua real missão: educar as novas gerações nos valores legados por Aristides de Sousa Mendes e no respeito pelos direitos humanos.

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