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Vangva: uma quase longa viagem de 13 386 km

Quatro pessoas. 
Uma cultura. 
Um pavilhão.
Uma sala. 
Uma professora. 
Muitos alunos.
 
     Tu. 
     Sim, tu!
     Tu que estás a ler isto e a pensar: “enfim, nunca na vida vou fazer uma viagem tão longa, para que é que quero ler isto?”. Tem calma, não pares de ler. Quiçá não poderás fazer mesmo uma viagem de 13 386km sem andares mais do que uns meros metros?
 
    No passado dia 26 de fevereiro, mês amado por todos (é por ser pequenino, como as sardinhas) viajámos um bocadinho e fomos aterrar no Laos. Sim, no Laos! Quem diria, não é? E agora perguntam: “Onde fica o Laos?”, ou, no pior nos cenários: “O que é o Laos?”. Começar-se-á, então, por explicar que o Laos é um país (Sim, um país. Onde é que estão essas aulas de geografia?), país este que se situa no continente asiático. Percorremos oceanos e montanhas, atravessámos fronteiras e obstáculos e chegámos a esse tão desejado país. E vocês também poderiam ter chegado, sabiam? 
Mas passemos ao que realmente importa. Vocês querem saber como é que podem andar tantos quilómetros em tão pouco, não é? Então fiquem a saber, desde já, que bastava terem-se deslocado até à sala 11, do Pavilhão Azul! É melhor explicar, certo? 
 
    Viajemos, então, até ao continente asiático…
 
    Estamos numa sala de tribunal. Temos uma audiência de exatamente 14 pessoas, o que é imenso para a nossa pequena cultura, que é apenas constituída por 100 elementos. (Veja-se lá quase um quinto de impuros em território sagrado.) Dividimos as pessoas por casas. Existem quatro casas, cada uma delas representa uma estação do ano. A nossa é o outono. Veneramos tudo o que seja relacionado com folhas, com a renovação do espírito e com a natureza. Mostramos os objetos e os visitantes, interessados e esbugalhando os olhos, atentam nas nossas palavras sobre tudo aquilo que possuímos na nossa cultura. Temos luz, folhas, mandalas, panos sagrados, literatura, música, flores. Temos tudo o que é preciso para atingirmos uma libertação plena da alma. Comemos a comida tradicional representante da nossa gastronomia. Não pode ser revelada a sua essência. Ninguém fala, o silêncio predomina na sala. Não é permitido falar durante as refeições. Comemos. Agradecemos. Rezamos. Exemplificamos uma aula de filosofia natural. Na nossa cultura a educação é considerada um marco importante. Temos muitas disciplinas e um método de ensino de excelência. Cantamos, tocamos e ensinamos. Referimos o valor da moeda. Falamos dos nossos métodos de trabalho. Executamos o nosso ritual sagrado. Enumeramos as nossas regras. Nunca uma regra deve ser quebrada. Nunca. Não matar. Não amar pessoas do mesmo género. Não trair. Rezar. Amar a natureza. Ser fiel à alma. Purificar-se. 
    Mas, depois disto, lembrai-vos: estamos em plena sala de tribunal. Duas pessoas cometeram um crime. Duas mulheres. Uma relação. Duas mulheres numa só relação, exclusiva. 
    Morte. Pena de morte.
    Nunca a nossa cultura poderá ser traída. 
 
 
    E foi isto que aconteceu. Parece confuso, não é? Digamos apenas que são pedaços de nós em pedaços de uma cultura não muito real mas tão possível a nossos olhos. 
 
   Um obrigada à professora Aldina por nos fazer sonhar tão alto e ir tão longe, sem sequer termos de nos movimentar. O conhecimento está, de facto, na porta ao nosso lado. Basta querer entrar.
 
   Vangva: o trabalho que estará sempre na nossa memória.
 
 
Sofia Marques, Marta Pereira, Daniela Cardoso e Rui Cassiano
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quinta, 21 março 2019 16:52 In Notícias AECS